quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Apresentação - Plano de Produto

                A criatividade tomou conta dos alunos da turma 2012.2, pois para compor a nota da II Unidade da disciplina de Administração Mercadológica, foi desenvolvido um trabalho de elaboração de produtos/serviços e junto o plano de marketing. Esta atividade ocorreu no dia 13 de dezembro de 2012, no Auditório do Campus Caruaru da UPE.


































quinta-feira, 29 de novembro de 2012


10 tendências de consumo cruciais para 2013

Conheça o fast-food financiado pela clientela, aplicativos com receitas médicas e o mergulho dos consumidores em produtos e serviços antes do lançamento

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Esporte como entretenimento: força estratégica para as marcas


O fato de sediar uma Copa do Mundo coloca o esporte em geral e mais especificamente o futebol em evidência por longos anos


Por Fernando Trevisan, Administradores.com
Esporte e entretenimento sempre andaram de mãos dadas, mas nunca estiveram tão juntos quanto agora. As tecnologias digitais e a evolução das instalações colocam o produto esportivo em um novo patamar e permitem ao público intensificar a sua experiência de consumo. O resultado é a amplitude cada vez maior da cobertura da mídia: o Superbowl 2011, finalíssima do campeonato de futebol americano, atraiu uma audiência média recorde de 111 milhões de pessoas para um evento que vai muito além do jogo propriamente dito. 
Mas nada se compara aos números relacionados aos megaeventos esportivos: quase metade da população global acompanhou a Copa do Mundo de 2010 pela televisão, e as Olimpíadas de Londres, a primeira a ser transmitida em alta definição e em 3D, além de poder ser acompanhada quase que integralmente pela web, atingiu uma audiência global de 4,8 bilhões. Como sede dos dois maiores eventos do planeta nos próximos quatro anos, abre-se no Brasil uma série de oportunidades inéditas para as marcas vinculadas ao esporte.
No caso específico da Copa do Mundo, atrelar a marca ao evento significa falar diretamente com 3,5 bilhões de fãs do esporte mais popular do planeta. Não é por acaso que a Fifa arrecadou US$ 2,4 bilhões somente com a venda dos direitos de transmissão da última edição, que foi acompanhada em cada um dos países e territórios do globo, nas mais diversas plataformas e formatos: televisão, rádio, celular, banda larga, alta definição e 3D. 


Imagem: Thinkstock

A relevância do evento pode também ser medida pelos valores investidos pelos patrocinadores para terem o direito de utilizar a marca Copa do Mundo nas suas ações de marketing: de 2007 a 2010, a receita da Fifa com este item foi de mais de US$ 1 bilhão. Assim, os 18 patrocinadores atuais da entidade e do evento têm uma oportunidade ímpar de exposição global das suas marcas e de se relacionar com uma base imensa de potenciais consumidores. Mas e o restante do mercado, como pode aproveitar o impacto de um evento dessa magnitude no País?

O fato de sediar uma Copa do Mundo coloca o esporte em geral e mais especificamente o futebol em evidência por longos anos. Mesmo no Brasil, em que o futebol já desperta o interesse de 57% dos jovens segundo pesquisa recente da Olympikus feita pelo Datafolha, o aumento da exposição da modalidade na mídia por conta do evento em 2014 pode significar um salto ainda maior nesse interesse. Daí que as marcas que se associam ao futebol tendem a colher os frutos desse crescimento.
Além disso, é inegável que as exigências do organizador do evento, em que pesem em alguns casos serem bastante conflitantes com os interesses da nação, funcionam em linhas gerais como um novo padrão de referência e profissionalismo para o futebol brasileiro. Em primeiro lugar, a proteção que a entidade oferece a seus patrocinadores é seguramente uma das mais rigorosas e eficientes do planeta. O trabalho constante de evitar o chamado marketing de emboscada serve de exemplo para qualquer entidade esportiva brasileira que deseje aumentar o retorno de seus patrocinadores. E um outro grande benefício diz respeito às novas arenas multiuso que estão sendo construídas e reformadas segundo os mais altos padrões de conforto, segurança e qualidade mundial. O trabalho de adequação dos doze estádios que serão sedes da Copa em 2014 gera também um efeito multiplicador interessante e outros projetos próprios já têm aparecido, como as novas arenas do Palmeiras e do Grêmio. Isso significa que de teremos em um curto espaço de tempo ao menos 700 mil lugares disponíveis nestes novos ambientes, com possibilidade de utilização não só para o futebol, mas também para uma série de outras atividades esportivas, de lazer ou de negócios. Abre-se então um novo campo de atuação das marcas que investem no futebol, tanto em termos de possibilidades de ativação de seus patrocínios, quanto de estratégias de relacionamento e hospitalidade nos centenas de camarotes e business seats que passarão a ser oferecidos.
Ao se aproximar do conceito de entretenimento, o esporte passa a participar de uma indústria que deve movimentar mais de US$ 2 trilhões em 2016. O aumento da renda per capita das famílias brasileiras, que cresceu 23,5% de 2001 a 2009, significa mais dinheiro disponível no orçamento para gastos com entretenimento e lazer. A Copa do Mundo de futebol pode ser um grande catalisador desse movimento no esporte nacional e contribuir para torná-lo definitivamente uma opção de lazer para a família brasileira e de estratégia mercadológica para as empresas do País.
Fernando Trevisan - Pesquisador e consultor da Trevisan Gestão do Esporte e diretor da Trevisan Escola de Negócios 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Sucesso na Ação Educativa "Consumo Consciente - Compre essa ideia"

A Ação Educativa "Consumo Consciente - Compre essa ideia!" superou todas as expectativas. Grande parte dos consumidores abordados identificaram-se com as situações expressas, de uma maneira criativa , nas Cartilhas e receberam com entusiasmo todas as orientações dos alunos participantes.






    Confira todas as imagens e detalhes sobre essa Ação no link:               http://admercadologicaupe.blogspot.com.br/p/acao-de-educacao-para-o-consumo.html

domingo, 14 de outubro de 2012

Convite: Ação de Educação para o Consumo Consciente


Cartilha das Crianças

A PROTESTE Associação Brasileira de Defesa do Consumidor  lançou no último dia, 5,  a Cartilha das Crianças.


Cartilha das Crianças da PROTESTE





Publicação on-line destaca direitos e dá dicas para a compra dos brinquedos.
Má qualidade do ensino público e privado, propaganda com estímulo ao consumismo, alcoolismo
precoce, alimentação fast food e bullying (violência física ou psicológica) são alguns dos principais 
desafios ao desenvolvimento integral de 60 milhões crianças e adolescentes. São temas que ganham 
evidência neste dia 12 de outubro, em que se homenageiam as crianças no Brasil. Para ampliar o grau 
de informação de pais e responsáveis, a PROTESTE Associação de Consumidores  está lançando uma 
cartilha com os direitos dos cidadãos de até 12 anos. 
A Cartilha das Crianças aborda legislação, educação, sustentabilidade, diversão, nutrição e viagens.
Também destaca situações para as quais pais e responsáveis prestar atenção especial, como o uso de 
álcool líquido, que tem provocado graves acidentes e lesões; brinquedos que machucam as crianças;
uso de carrinhos de bebê e de cadeirinhas de alimentação; menores que têm acesso a celular e Internet; 
o sentido educativo da mesada, e a necessidade uma lei federal que padronize a segurança em parques 
de diversões.
“Não é mais possível tratar crianças como adultos pequenos, submetidas aos mesmos níveis e tipos de 
propaganda e riscos à saúde e segurança”, afirma Maria Inês Dolci, coordenadora-institucional da 
PROTESTE, maior associação particular de defesa dos direitos do consumidor da América Latina,
com quase 300 mil associados em todo o país.
Como realiza testes comparativos de produtos e de serviços, a PROTESTE recolheu, em mais de
uma década, preciosas indicações sobre precauções com relação a brinquedos, contratos nos ensinos 
fundamental e médio, compra de material escolar, mochilas e transporte escolar.
Um dos focos da cartilha é a segurança veicular no transporte de menores de 12 anos, com o uso do
cinto de segurança , em veículos dotados de air bag, freios ABS e com acessórios como bebê-conforto, 
cadeirinhas de segurança, booster (assento de elevação). Até a cadeirinha de refeição e carrinhos de 
bebê devem obedecer a normas técnicas para evitar acidentes e ferimentos.
São abordados, também, temas como obesidade, alcoolismo, uso de telefone celular e acesso à 
Internet. “É um guia prático, com foco na legislação, principalmente no Estatuto da Criança e do 
Adolescente e no CDC. Não pretendemos ensinar pais a cuidar de seus filhos, mas oferecemos 
informações atualizadas para contribuir com esta difícil, fundamental e nobre missão”, destaca Dolci.

 Veja algumas das dicas para acertar na compra de brinquedos:
• Atenção à faixa etária ou idade a que se destine;
• Procure a identificação do fabricante (nome,CGC, endereço);
• Número de peças e regras de montagem, se for o caso, escritas de forma clara, em
português e com ilustrações;
• Atenção à eventuais riscos que possa causar à criança;
•  Veja se tem o selo de segurança do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e 
Qualidade Industrial), bem com o de um órgão credenciado para testar sua qualidade
(IQB, Falcão Bauer).
• Não compre por impulso. Nem sempre produtos “da moda” são os mais adequados.
• Toda vez que for possível, deixe que a criança manuseie o brinquedo antes de comprá-lo e veja se é
seguro.
• Brinquedos educativos podem ser boas opções, pois além do divertimento apoiam o desenvolvimento 
e a educação. São fabricados sob supervisão de especialistas em educação, como psicólogos e
pedagogos, e valorizam o trabalho de artesãos. Os brinquedos refletem linhas e escolas pedagógicas e 
são desenvolvidos para potencializar a inteligência. Mais do que diversão e entretenimento, podem dar 
às crianças um impulso no aprendizado. As crianças muito pequenas gostam de tocar, pôr na boca e 
experimentar os objetos que lhes são dados. Apesar de nem todos os defeitos serem visíveis, os pais 
podem ter um papel preventivo ao serem exigentes na escolha.
 Atenção a alguns aspectos que aumentarão a segurança dos brinquedos:
• Ruídos excessivos podem causar sérios danos à audição dos pequenos. Com cheiro e forma que 
imitem alimentos podem levar a criança a engoli-los. De tecidos devem ser laváveis, com instruções de
uso e etiqueta indicando sua composição.
•Não compre os compostos por materiais que se quebrem facilmente, ou que tenham cordões longos
que possam ser enrolados no pescoço, cantos pontiagudos ou afiados. Nem bichos de pelúcia com 
o pelo muito comprido e que se solte facilmente, pois poderão causar alergias. Pelo mesmo motivo,
não encha o quarto do bebê de bichos de pelúcia, que acumulam pó.
•Não deixe que seu filho menor mexa com produtos de crianças maiores, como jogos de botão ou bolas 
de gude.
• Verifique as costuras dos bonecos, para garantir que o enchimento não se soltará facilmente. Também 
se os olhos dos bichinhos de pelúcia estão firmemente pregados, para evitar que sejam engolidos.
• Brinquedos para menores de três anos não devem ter peças muito pequenas, que possam ser engolidas
ou aspiradas.
•Embalagens não podem conter grampos, pregos ou parafusos e os sacos plásticos têm ser descartados 
rapidamente, para evitar sufocamento.
• Revise periodicamente os brinquedos da casa para jogar fora os que tenham defeitos e que possam 
se tornar perigosos.
• Fique por perto quando seu filho brincar com balões de látex (bexigas). Quando estourados, eles viram 
pedaços que podem ser levados à boca.
• Evite comprar brinquedos com pilhas e baterias pequenas, pois podem ser retiradas e engolidas.
• Não deixe que a garotada se divirta com joguinhos com dardos, flechas e projéteis, pois são capazes de 
ferir gravemente os olhos.
•Não compre itens que reproduzam comida: crianças muito pequenas tentarão comê-los.
• Cordas ou cabos também não são indicados para crianças, pois, acidentalmente, poderão enrolá-los no
pescoço com força.
• Se o seu filho for menor de 10 anos, não o presenteie com brinquedos que simulem 
experiências químicas. Ele pode ingerir as substâncias do “minilaboratório”.
• Evite os andadores, pois podem tombar e fazer a criança bater a cabeça no chão. Segundo estudo 
realizado pela PROTESTE e pela Associação Médica Brasileira, em São Paulo, a maioria das vítimas de 
acidentes com brinquedos tem cinco anos ou menos.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Como os brasileiros gastam - Revista ISTO É

O crescimento econômico muda o mapa do consumo no Brasil, faz disparar as vendas de produtos e serviços sofisticados e aumenta o apetite de todas as classes sociais para comprar mais

Amauri Segalla e Fabíola Perez
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CLASSE B
Boa parte do rendimento familiar é destinada à educação
(ensino superior, intercâmbio e cursos de especialização)
Há alguns dias, o Ibope Inteligência divulgou um prognóstico espantoso a respeito da economia brasileira. As projeções indicam que o consumo das famílias vai crescer 13,5% em 2012, alta comparável ao desempenho de um país como a China. De acordo com o Ibope, até o final do ano os gastos nacionais devem totalizar R$ 1,3 trilhão, valor equivalente à soma dos PIBs de Argentina e Suécia. Será o nono avanço consecutivo desse indicador, feito notável diante das crises financeiras que, principalmente depois de 2008, derrubaram a Europa e os Estados Unidos. Hoje, o Brasil é campeão de vendas em diversos setores. Em nenhum lugar do planeta o comércio de celulares e tevês de telas finas, para usar exemplos de produtos que demandam tecnologia de ponta, cresce tão velozmente. O País já é o quarto maior mercado global de carros, o terceiro de cosméticos e de cerveja e lidera com folga negócios tão diversos quanto produção de gravatas (o que é resultado direto do aumento da oferta de cargos executivos) e achocolatados (com mais dinheiro, a classe C fez sumir das prateleiras chocolate em pó e em caixinha). O fenômeno, como se observa nesses dados, é alimentado pelo enriquecimento da população. Os brasileiros não estão apenas comprando mais. Acima de tudo, estão gastando com qualidade. A classe média, responsável por quase 80% do consumo das famílias, trocou carros com motor 1.0 por veículos mais potentes, o frango por carne nobre, o óleo de soja por azeite. Claro, o Brasil não é uma Suíça, mas está cada vez mais parecido com as nações ricas. “No Brasil, a revolução no consumo está ocorrendo de maneira mais agressiva do que em outros lugares”, diz Henry Manson, chefe de pesquisa da consultoria americana Trendwatching, especializada em marcas e com atuação em mais de 120 países.
O mapa do consumo no País é o retrato acabado dessa transformação. Embora ainda predominem como forças econômicas, as regiões Sul e Sudeste vêm perdendo espaço, no volume de vendas nacionais, para os Estados do Norte e Nordeste. Em 2012, o consumo deve crescer 6,5% no Sudeste, ou um quarto da disparada prevista para o Norte e o Nordeste do País. A diversificação das oportunidades é boa para as empresas, que faturam alto com os novos mercados, e para os consumidores, que passam a ter acesso a mais bens e serviços. Esse processo de amadurecimento da economia brasileira só foi possível graças à combinação de três fatores: o crescimento continuado, a redução da desigualdade e a expressiva geração de empregos. “As empresas oferecem oportunidades com carteira assinada, o consumidor se sente mais confiante para obter acesso ao crédito e a economia toda é favorecida”, diz Marcelo Neri, economista e coordenador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV). É fácil comprovar a mudança em curso no País. De 2003 a 2011, a renda média do brasileiro cresceu 33%. Nesse período, nove milhões de pessoas passaram a integrar as classes A e B. Já a classe C, a que mais evoluiu, ganhou 40 milhões de novos integrantes – contingente semelhante à população inteira da Espanha.
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CLASSE C 
O pedreiro Sadir Maximovitz, a mulher, Cleonice, e as filhas
Ana Alice e Gabriela (da esq. para a dir.): com o crédito farto,
ele comprou cinco apartamentos e eletrodomésticos modernos
São pessoas como o pedreiro Sadir Maximovitz que impulsionam as estatísticas do consumo nacional. Aos 36 anos, ele possui cinco apartamentos em Florianópolis, onde vive atualmente com a família. Nascido no interior do Paraná, desistiu de trabalhar como agricultor para começar a vida do zero em Santa Catarina. Como não tinha o segundo grau completo, voltou a estudar para conseguir o primeiro emprego na cidade. Ingressou na área de construção e, com a farta oferta de crédito, comprou o primeiro imóvel. O boom imobiliário trouxe um rosário de oportunidades – e todo o dinheiro que sobrava era investido em um novo apartamento. Hoje são cinco. As pesquisas econômicas comprovam a importância do setor habitacional para o crescimento do País. Os brasileiros destinam 35% de seu orçamento para a habitação, quase o dobro do dinheiro gasto com alimentação. Mas não são apenas os imóveis que estão no foco de interesse da família Maximovitz. A renda familiar de R$ 3 mil permite confortos até pouco tempo atrás inacessíveis. Ele, a mulher e as duas filhas, de 12 e 9 anos, têm celular próprio. A cozinha foi equipada com eletrodomésticos modernos (torradeira, máquina de café expresso) e a geladeira é nova em folha.
A notícia mais surpreendente é que a ascensão de Maximovitz, um autêntico representante da classe C, provavelmente não terminou. “A próxima revolução do consumo deverá ocorrer dentro de dois ou três anos, quando a classe C ascender para a B”, afirma Antônio Carlos Ruótulo, diretor do Ibope Inteligência. “O processo vai levar a uma alteração muito mais intensa do que a primeira ascensão social, que provocou a formação da nova classe média no País.” A mobilidade social é resultado direto do aumento da renda. Portanto, diz Ruótulo, o salto será irreversível. Projeta-se, para o futuro próximo, uma classe A/B composta por impressionantes 30 milhões de pessoas, que terão dinheiro suficiente para comprar carros melhores, se vestir melhor, viajar para o Exterior, investir em produtos de alta tecnologia, comer bem. De certa forma, isso já vem acontecendo no País, mas há na fila uma multidão ansiosa para entrar nesse grupo de elite. Quando a revolução enfim terminar, o Brasil vai rivalizar em condições de igualdade com as grandes potências globais. Que empresa estrangeira não vai querer colocar seu produto aqui? Que marcas não vão priorizar o mercado brasileiro? Quem será maluco de ficar fora desse movimento?
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CLASSE E 
O condutor de mototaxi Fábio Santos com a mulher, Amara da
Silva (de verde), e os filhos Allysson e Adriene: com a ajuda
do Bolsa Família, a família consegue encher a geladeira
Segundo o economista Marcelo Neri, da FGV, a mudança é mais sustentável do que muitos acreditam. “Ao mesmo tempo que o desenvolvimento econômico se intensifica, a taxa de desigualdade registrou uma queda de 2,1% nos últimos 12 meses”, diz ele. Em apenas um ano, portanto, houve um forte movimento para cima de brasileiros que estavam na base da pirâmide. Isso em tempos de dúvida a respeito do futuro da Europa e do impacto que os problemas do Velho Continente podem causar mundo afora. Para pessoas como o salva-vidas Leandro Rodrigues, 30 anos, a palavra crise está muito distante de seu dia a dia. Ele vive no bairro do Humaitá, no Rio de Janeiro e, graças ao crédito fácil, conseguiu comprar uma moto financiada. Hoje, o seu principal sonho de consumo é a educação, a exemplo do que ocorre com a maioria dos integrantes da classe D. “Estudei até o segundo grau e depois fiz um curso técnico de administração de empresas”, diz Rodrigues. “Agora tenho planos de fazer outros cursos.” Mesmo para aqueles cujos anseios de consumo se limitam à alimentação, o crescimento econômico dos últimos anos abriu um leque de oportunidades. Fábio Santos, 36 anos, faz bicos como mototaxi na favela Morro dos Cabritos, no Rio de Janeiro, e sua mulher, Amara da Silva, trabalha como auxiliar de serviços gerais. Boa parte de sua renda vem do Bolsa Família, que permitiu que ele e a mulher comessem melhor – e ajudassem os supermercados a faturar mais. “A minha geladeira nunca fica vazia”, diz Santos. Hoje em dia, as classes D e E representam 20,6% do total de domicílios brasileiros e bancam 7% do consumo. Segundo pesquisa do Ibope, as despesas dessa parcela da população se concentram basicamente na alimentação e no vestuário.
A maior transformação do consumo brasileiro, porém, é a busca pela qualidade. Basta dar uma espiada nas estatísticas para captar esse desejo. Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares, realizada pelo IBGE, entre 2003 e 2009 o consumo médio mensal de carne de primeira aumentou 4,2% no País. Enquanto isso, o de frango caiu 11,8%. Há casos mais emblemáticos. A compra de azeite subiu 13,8% e a de óleo de soja, recuou 45,5%. Detalhe importante: o azeite custa, em média, o triplo de seu concorrente menos nobre. “As famílias brasileiras deixaram de comprar apenas o básico e estão ingressando em categorias de maior valor agregado”, diz Sussumo Honda, presidente da Associação Brasileira de Supermercados. “Produtos como carne, verduras, legumes e frutas começaram a fazer parte da cesta de compras das classes mais baixas.” O executivo também cita os produtos orgânicos como exemplo dessa mudança. Eles ainda representam pouco do faturamento do setor, mas sua venda cresce sistematicamente mais do que a de outros alimentos. “Os consumidores cada vez mais privilegiam itens saudáveis na hora de comprar”, diz Honda. Isso tem um preço, em geral muito mais alto do que alimentos que não fazem bem à saúde.
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CLASSE A 
O empresário e pecuarista Luís Hermano Colferai e a mulher,
Maria Izete Colferai: como a maioria dos que estão no topo 
da pirâmide, ele investe em produtos financeiros e imóveis
Na área de tecnologia, o caso brasileiro já foi chamado de “milagroso” por publicações estrangeiras especializadas em economia. Em nenhum outro país as vendas de smartphones são tão vertiginosas. Em 2011, cresceram 179%. Para efeito de comparação, nos Estados Unidos a alta não chegou a dois dígitos. Enquanto até em países como o Japão as vendas de tevês com tecnologia 3D não deslancharam, por aqui elas já respondem por quase um quarto dos negócios fechados. Dos 12 milhões de aparelhos comercializados por ano no Brasil, 92% possuem telas finas (LED, LCD), que custam no mínimo o dobro de modelos menos sofisticados. A indústria automobilística passa pela mesma sofisticação. Em fevereiro passado, a participação de carros com motor 1.0 no total de automóveis emplacados foi de 42,6%, o que corresponde ao menor percentual em 17 anos. Há uma década, os veículos populares detinham mais de 70% da preferência dos brasileiros. Agora, eles estão sendo substituídos por modelos 1.6 e 1.8, com airbag, câmbio automático e banco de couro.
Mimos como esse se tornaram corriqueiros na vida de profissionais como o engenheiro civil Carlos Henrique Lellis, 50 anos. Sua família de quatro integrantes (além dele, vivem sob o mesmo teto a mulher e os dois filhos) possui três carros, cinco tevês e quatro computadores. Todos os anos, o grupo viaja para o Exterior (“em 2011, fizemos um cruzeiro pela Europa”, diz Lellis) e comer fora passou a ser até mais frequente do que fazer refeições em casa. Os Lellis se enquadram no que os especialistas chamam de classe B, mas eles também passaram por uma transformação social graças, em boa medida, à fartura de oportunidades da economia brasileira. Por mais de 20 anos, o engenheiro trabalhou em um banco, mas o salário limitava suas ambições de consumo. Em 2006, resolveu deixar o emprego para abrir um escritório de engenharia. “Nossas condições de vida melhoraram muito depois disso”, afirma. No mapa do consumo brasileiro, a classe B está praticamente empatada com a classe C, respondendo por 38% das compras efetuadas no Brasil. O interessante é que o grupo em que está o engenheiro Lellis detém 46,6% da massa salarial do País, ante 26,9% da classe C. Uma das possíveis conclusões: a classe B tem mais dinheiro, mas a C está mais disposta a gastar. No alto da pirâmide, a classe A é representada pela minoria dos domicílios no País (2,6%). Enquanto o salário dessas famílias corresponde a 23,7% da renda nacional, apenas 16,2% dessa renda é convertida em bens de consumo. A explicação para a existência de mais dinheiro do que consumo é que os ricos concentram suas ambições em investimentos monetários. Foi isso o que fez o empresário e pecuarista Luís Hermano Colferai, 60 anos, para formar seu patrimônio. “A fórmula do sucesso é poupar”, diz Colferai. “Gosto de comprar à vista e ao longo dos anos desenvolvi o hábito de investir na poupança.”
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CLASSE D
O salva-vidas Leandro Rodrigues (no centro), sua mãe, Neuza Silva,
o padrasto José Santana e a filha Larissa Silva: o aumento da
renda permitiu que ele comprasse alimentos de melhor qualidade
Para manter o desenvolvimento econômico baseado no consumo – fórmula que, aliás, ajudou os Estados Unidos a se tornarem o país mais rico do mundo –, o governo brasileiro prepara uma série de medidas que deverão ser adotadas nos próximos meses. Mais concessões fiscais para eletrodomésticos da linha branca e novas linhas de crédito buscam principalmente despertar os ânimos daqueles que ficaram assustados com o crescimento tímido de 2,7% do PIB brasileiro em 2011. Mas a turma dos que estão realmente temerosos é pequena. Segundo uma pesquisa global realizada pela Nielsen, o consumidor brasileiro é o quinto mais otimista do mundo. Nesse caso, otimismo se traduz essencialmente em disposição para gastar. Para especialistas, o Brasil está perto de atingir aquele grau de satisfação em que, mais do que se estressar para pagar as contas, o que move as pessoas são os planos de consumo imediatos ou para o futuro – desfrutar de um restaurante sofisticado, construir uma casa, viajar para o Exterior. É o estado de bem-estar alcançado apenas por alguns países europeus e que, por mais surpreendente que possa parecer, os brasileiros estão prestes a conquistar.