Cartilha das Crianças da PROTESTE
Publicação
on-line destaca direitos e dá dicas para a compra dos brinquedos.
Má
qualidade do ensino público e privado, propaganda com estímulo ao consumismo,
alcoolismo
precoce,
alimentação fast food e bullying (violência
física ou psicológica) são alguns dos principais
desafios ao desenvolvimento
integral de 60 milhões crianças e adolescentes. São temas que ganham
evidência
neste dia 12 de outubro, em que se homenageiam as crianças no Brasil. Para
ampliar o grau
de informação de pais e responsáveis, a PROTESTE Associação de
Consumidores está lançando uma
cartilha com os direitos dos cidadãos de
até 12 anos.
A
Cartilha das Crianças aborda legislação, educação, sustentabilidade, diversão,
nutrição e viagens.
Também destaca situações para as quais pais e responsáveis
prestar atenção especial, como o uso de
álcool líquido, que tem provocado
graves acidentes e lesões; brinquedos que machucam as crianças;
uso de carrinhos de bebê e de cadeirinhas de alimentação; menores que têm acesso a
celular e Internet;
o sentido educativo da mesada, e a necessidade uma lei
federal que padronize a segurança em parques
de diversões.
“Não
é mais possível tratar crianças como adultos pequenos, submetidas aos mesmos
níveis e tipos de
propaganda e riscos à saúde e segurança”, afirma Maria Inês
Dolci, coordenadora-institucional da
PROTESTE, maior associação particular de
defesa dos direitos do consumidor da América Latina,
com quase 300 mil
associados em todo o país.
Como
realiza testes comparativos de produtos e de serviços, a PROTESTE recolheu, em
mais de
uma década, preciosas indicações sobre precauções com relação a
brinquedos, contratos nos ensinos
fundamental e médio, compra de material
escolar, mochilas e transporte escolar.
Um
dos focos da cartilha é a segurança veicular no transporte de menores de 12
anos, com o uso do
cinto de segurança , em veículos dotados de air bag, freios
ABS e com acessórios como bebê-conforto,
cadeirinhas de segurança, booster
(assento de elevação). Até a cadeirinha de refeição e carrinhos de
bebê devem
obedecer a normas técnicas para evitar acidentes e ferimentos.
São
abordados, também, temas como obesidade, alcoolismo, uso de telefone celular e
acesso à
Internet. “É um guia prático, com foco na legislação, principalmente
no Estatuto da Criança e do
Adolescente e no CDC. Não pretendemos ensinar pais
a cuidar de seus filhos, mas oferecemos
informações atualizadas para contribuir
com esta difícil, fundamental e nobre missão”, destaca Dolci.
Veja
algumas das dicas para acertar na compra de brinquedos:
•
Atenção à faixa etária ou idade a que se destine;
•
Procure a identificação do fabricante (nome,CGC, endereço);
•
Número de peças e regras de montagem, se for o caso, escritas de forma clara,
em
português
e com ilustrações;
•
Atenção à eventuais riscos que possa causar à criança;
•
Veja se tem o selo de segurança do Inmetro (Instituto Nacional de
Metrologia, Normalização e
Qualidade Industrial), bem com o de um órgão
credenciado para testar sua qualidade
(IQB,
Falcão Bauer).
•
Não compre por impulso. Nem sempre produtos “da moda” são os mais adequados.
•
Toda vez que for possível, deixe que a criança manuseie o brinquedo antes
de comprá-lo e veja se é
seguro.
•
Brinquedos educativos podem ser boas opções, pois além do divertimento
apoiam o desenvolvimento
e a educação. São fabricados sob supervisão de
especialistas em educação, como psicólogos e
pedagogos, e valorizam o
trabalho de artesãos. Os brinquedos refletem linhas e escolas pedagógicas
e
são desenvolvidos para potencializar a inteligência. Mais do que
diversão e entretenimento, podem dar
às crianças um impulso no
aprendizado. As crianças muito pequenas gostam de tocar, pôr na boca e
experimentar os objetos que lhes são dados. Apesar de nem todos os
defeitos serem visíveis, os pais
podem ter um papel preventivo ao serem
exigentes na escolha.
Atenção
a alguns aspectos que aumentarão a segurança dos brinquedos:
• Ruídos
excessivos podem causar sérios danos à audição dos pequenos. Com cheiro e
forma que
imitem alimentos podem levar a criança a engoli-los. De tecidos
devem ser laváveis, com instruções de
uso e etiqueta indicando sua composição.
•Não
compre os compostos por materiais que se quebrem facilmente, ou que
tenham cordões longos
que possam ser enrolados no pescoço, cantos
pontiagudos ou afiados. Nem bichos de pelúcia com
o pelo muito
comprido e que se solte facilmente, pois poderão causar alergias. Pelo
mesmo motivo,
não encha o quarto do bebê de bichos de pelúcia, que
acumulam pó.
•Não
deixe que seu filho menor mexa com produtos de crianças maiores, como
jogos de botão ou bolas
de gude.
•
Verifique as costuras dos bonecos, para garantir que o enchimento não se
soltará facilmente. Também
se os olhos dos bichinhos de pelúcia estão
firmemente pregados, para evitar que sejam engolidos.
•
Brinquedos para menores de três anos não devem ter peças muito pequenas,
que possam ser engolidas
ou aspiradas.
•Embalagens
não podem conter grampos, pregos ou parafusos e os sacos plásticos têm ser
descartados
rapidamente, para evitar sufocamento.
•
Revise periodicamente os brinquedos da casa para jogar fora os que tenham
defeitos e que possam
se tornar perigosos.
•
Fique por perto quando seu filho brincar com balões de látex (bexigas).
Quando estourados, eles viram
pedaços que podem ser levados à boca.
•
Evite comprar brinquedos com pilhas e baterias pequenas, pois podem ser
retiradas e engolidas.
•
Não deixe que a garotada se divirta com joguinhos com dardos, flechas e
projéteis, pois são capazes de
ferir gravemente os olhos.
•Não
compre itens que reproduzam comida: crianças muito pequenas tentarão comê-los.
•
Cordas ou cabos também não são indicados para crianças, pois, acidentalmente, poderão
enrolá-los no
pescoço com força.
• Se
o seu filho for menor de 10 anos, não o presenteie com brinquedos que
simulem
experiências químicas. Ele pode ingerir as substâncias do
“minilaboratório”.
•
Evite os andadores, pois podem tombar e fazer a criança bater a cabeça no
chão. Segundo estudo
realizado pela PROTESTE e pela Associação Médica
Brasileira, em São Paulo, a maioria das vítimas de
acidentes com
brinquedos tem cinco anos ou menos.