Resenha
crítica: Cultura da Mobilidade*
O artigo Cultura da Mobilidade, cujo autor é André Lemos (professor do
programa de Pós-graduação da UFBA/BA/BR),
trata da necessidade de mobilidade que é inerente ao homem, analisando-a
por diferentes aspectos, sejam eles tecnológicos, sociais ou antropológicos,
além de ter a comunicação como principal foco de análise, tratando a atual
mobilidade como locativa.
O objetivo deste artigo é discutir sobre
as mudanças ocorridas ao longo do tempo, que tornaram possível uma cultura de
mobilidade muito mais disseminada, abrangendo espaços físicos, pessoas,
informações, tecnologia e objetos. Ao tratar sobre a mobilidade locativa defende-se
a ideia de que ela facilita a descoberta e aprimora o conhecimento de novas
culturas.
O ser humano é um ser social, ao qual é
nata a capacidade de adaptação e alojamento em diferentes grupos e culturas,
porém há também uma necessidade de isolamento, particularização e privacidade.
A mobilidade transita entre esses dois polos, e por meio da comunicação é
possível o deslocamento, pois ela se estabelece nessa dinâmica do móvel com o imóvel
e implica na saída da “zona de conforto” (particularização, privacidade) rumo
às novas descobertas e diferentes diálogos.
Entretanto, há vários tipos de
mobilidade: a física, informacional-visual, social, entre outras. No mundo
contemporâneo o acesso a informações, capacidade de deslocamento por meio de
meios de transporte, divulgação de notícias e apreensão de conhecimento,
acontece de maneira rápida e eficiente, demonstrando a capacidade de fusão
entre estas tantas formas de mobilidade humana.
Salienta-se que a aliança entre
comunicação, espacialização e mobilidade é pouco estudada, porém é relevante a
observação destes três pontos para que seja definida a dinâmica da sociedade
atual. Hoje, graças à internet, redes wifi, blogs e sites de relacionamento, as possibilidades de consumir, produzir e distribuir
informação são muito maiores.
É ressaltado ainda que as diversas
faces da mobilidade compartilham do mesmo objetivo, ainda que de maneiras
diferentes e que elas podem fazer parte de um mesmo contexto. Porém, é
necessário que haja a politização, planejamento e democratização da mobilidade,
para que ela possa ser disseminada nos diferentes grupos sociais. Portanto,
apesar da extensibilidade (capacidade e habilidade de deslocamento),
acessibilidade (possibilidade de alcançar certos pontos) e rapidez terem se tornado
ícones da época atual, e de não só a divulgação de informações, mas também o
deslocamento físico e as mudanças de grupos sociais (ascensão) acontecerem de
maneira muito mais acelerada, ainda há muita desigualdade social e isto
dificulta a democratização da mobilidade. A velocidade com que se tem acesso à
internet e os conhecimentos intelectuais e culturais dos indivíduos são fatores
que influenciam este processo. Por isso deve existir um planejamento bem
estruturado que considere estas questões e proponha as devidas soluções para
estes paradigmas.
Considera-se também que a mobilidade
acontece entre o processo de desterritorialização e territorialização e é capaz
de alterar o ambiente já existente e também de criar novas espacializações.
Essa nova modalidade de espaço informacional pode significar acomodação, já que
tudo está ao alcance das mãos, mas pode também ser vista como comodidade,
facilitando a busca de conhecimentos.
Assim, a globalização pode ser uma
janela para outros mundos e uma ferramenta para ultrapassagem das fronteiras
impostas pela geografia. A mídia contemporânea ressignificou os sentidos de
espaço, tempo e serviços, mas se vista pela ótica de que este “novo mundo” é
uma forma de alienação e de afastamento da realidade, será encarada de maneira
negativa.
Enfim, defende-se a articulação entre as
diferentes mobilidades, salientando que todas elas se complementam e que as
mídias, sites de compras, internet e redes sociais foram criadas com o intuito
de complementar as diversas formas de comunicação e distribuição de informações
e serviços já existentes.
Portanto, a mobilidade existe para
adicionar qualidades informacionais, dimensionando os lugares de acordo com as
mudanças na sociedade, e aprimorar as características e formas já existentes
nesses espaços. Os lugares servem como pilares em que se apoiam as novas
tecnologias, onde é possível compartilhar, narrar e contatar informações
produzidas por qualquer indivíduo.
* Resenha Crítica
do texto: LEMOS, André. Cultura da
Mobilidade. Porto Alegre: Revista FAMECOS,
nº 40, dez, 2009. Elaborada por Eline Morais Pinheiro, bolsista de IC do
Projeto ‘Mobilidade e Reconfigurações do Espaço Urbano’, orientado pela Profa.
Adriana Cordeiro.